terça-feira, 15 de outubro de 2013

PARANOIA DELIRANTE


Ufa... já faz um bom tempo que não escrevo nada para este espaço, mas hoje com alguns fatos acontecendo e muita gente fazendo loucuras resolvi ressuscitar o "Velho  Cavaleiro".
Não sou profissional da saúde mas, acredito que o assunto é interessante, e vale a pena comentar. Segundo a enciclopédia livre. Psicose é um quadro psicopatológico clássico, reconhecido pela psiquiatria, pela psicologia clínica e pela psicanálise como um estado psíquico no qual se verifica certa "perda de contato com a realidade".  Nos períodos de crises mais intensas podem ocorrer (variando de caso a caso) alucinações ou delírios, desorganização psíquica que inclua pensamento desorganizado .
Mas popularmente isso é também chamado de "encosto" cujos tratamentos são dos mais variados, desde banhos com ervas até o exorcismo, passando muitas vezes por despachos e rezas "bravas".
O problema é que a pessoa que está vivenciando tal crise acredita que esteja tudo dentro da normalidade e o problema de fato é uma outra ou as outras, e por muitas vezes resolve descarregar sua cólera sobre o seu pseudo "inimigo", um algoz imaginário que necessita ser combatido e consequentemente derrotado .
Nestes caso todo tipo  cuidado  torna-se pouco, pois a reação dos acometidos por  esta enfermidade podem se tornar  perigosos, saindo das ameaças para a chamada "vias de fato", o que no popular é o que chamamos de "sair na porrada".

Mas o mundo não acaba aqui, tenho a certeza que esta  "paranoia delirante", sei que trata-se de pleonasmo, mas é bem isso, loucura ao quadrado, é fruto dos tempos modernos onde matar um leão por dia torna-se fácil, difícil mesmo afagar o ego das serpentes, é a cura não está tão longe .

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Até parece presente de final de ano.

Natal e Jesus eram gêmeos, nascidos em vinte e cinco de dezembro e por este motivo receberam estes nomes. Os irmãos eram quase inseparáveis, e no Clube Recreativo de Cruz das Almas eram respectivamente presidente e tesoureiro.
E ambos foram  responsáveis pela contratação da Banda Ventre Livre para animar um de suas festas, mais precisamente um carnaval. No clube local dirigido pelos irmãos este evento sempre foi animado por um grupo da cidade vizinha, eram alguns senhores que raramente eram vistos fora do palco. Quando a Ventre Livre chegou parece que a população sentiu no ar o cheiro da loucura. Este pessoal ao contrario dos outros não saiam dos bares e lanchonetes da cidade.
Foi neste local que Chocolate emitiu sua frase mais importante – “mulher bonita gosta de homem feio”, o porquê da frase será contado em outra historia. Chocolate, Gibi, Gafanhoto, Goiaba, Keixo, Batatinha, Tição, ou seja, a banda toda resolveu sair atrás do trio elétrico Cana Santa, a alegria dos foliões era regada a caipirinha.
Neste trio, mulheres e homens eram separados, mas as figuras conseguiram convencer os organizadores a quebrar a tradição e foram brincar com as mulheres. Nesta ala junto das mulheres os privilegiados músicos começaram a perceber que havia algumas que tomavam todas, e resolveram segui-las, imaginem o resultado? Exatamente, acabaram trebados e foi neste dia que Chocolate quase não subiu ao palco.
A farra do trio elétrico acabou e ele tinha que trabalhar, a noite era longa, foi um dos primeiros a chegar ao clube, o motivo principal era tentar aliviar um pouco o peso do álcool em sua cabecinha. Deitou-se no chão do salão, colocou os pés sobre uma cadeira e ficou ali, inerte vendo o mundo rodar.
Neste instante teve a sensação de que tinha morrido e estava no céu, pois Sandra a cunhada de Jesus adentrou ao salão e foi ao seu encontro, debruçou sobre ele deu um beijo em seu rosto, sentou-se também e acomodou a cabeça do negrão em seu colo e abriu seu coração, falou coisas que ele sempre quisera escutar de uma mulher. Mas o fator álcool era tanto que só foi processar o que tinha ouvido lá pelas duas da madrugada.
Bateu o desespero, deixou o palco e saiu à procura da moça, não encontrando foi perguntar ao cunhado, que disse que ela já havia ido embora. Aí começou um autêntico jogo rápido de perguntas e respostas
Chocolate: onde ela mora?
Jesus: está dormindo...
Chocolate: eu acordo!
Jesus: meu sogro é bravo...
Chocolate: não tenho medo!
Jesus: lá tem cachorro!
Chocolate: não me importo, não tem problema, existem mais pessoas na cidade que a conhece e sabem onde ela mora. E ele descobriu onde a moça morava, e saiu do clube em meio a uma forte chuva, mas desistiu.
Ele não tinha tempo pra dormir, mas mesmo que tivesse não conseguiria, pois a vontade de ver a moça não deixaria. A angustia só teve fim no final da tarde, onde ela confirmou tudo que havia dito na noite anterior, mas o namoro não foi muito longe, os motivos fica para a próxima historia, mas foram felizes enquanto durou.
Mais uma louca historia de amor?

Quem ainda não foi atacado pelo vírus da paixão? Sim esta “doença” que nos deixa com cara de bobo e nos faz rir sem um motivo aparente.
É meus amigos a coisa é muito séria, pois os sintomas não se resumem a isso, quando este vírus aparece o mundo fica lilás, mesmo sob um temporal vemos céu azul. O mundo se torna lindo e maravilhoso.
O ruim nesta história é quando o amor não é correspondido, então as saídas são  varias por vezes não a encontramos, mas sim a porta de um botequim, onde as garrafas nos juram fidelidade, prometendo nos acompanhar por todo e sempre, a sensação horrível.
Mas também existe o misto dos sentimentos descritos, é quando a pessoa amada fica em cima do muro, ora para sim, ora pelo não, e a impaciência pode levar o individuo a beira da loucura.
Está ultima foi a que tomou por completo o Vela Preta, sim este é o apelido do artista, era um crioulinho fino, que em um determinado dia resolveu deixar seu cabelo estilo black, em um tom avermelhado. E quando chegou no samba a rapaziada logo achou por bem chamá-lo de Vela Preta, pois diziam que seus cabelos estavam parecendo uma labareda, mas deixa isso pra lá e vamos ao que interessa.
Desde seus tempos de garoto onde curtia Silvia Cristina uma galeguinha de olhos verdes e dentes de rato que não se via tão atraído por alguém. Mas em uma manhã de primavera ao passar por um supermercado da cidade o bicho pegou.
Suas pernas tremeram, o coração disparou e quando colocou as mãos sobre a cabeça já era tarde, o juízo já tinha desaparecido. Gisele, sim este era o nome da pessoa que quase mando o camarada ao hospício e próximo de ficar sócio de uma das floriculturas da cidade, foram dias de angustia, e esperança, mas a moça não se resolvia, até que um dia resolveu partir pra outra, mesmo com a jovem indecisa habitando seu coração.
Certo dia sem ter muito pra fazer saiu perambulando pela cidade meio sem destino, porque o agito dos bailes eram a partir das vinte e três horas. Nesta caminhada encontrou um velho camarada que o convidou para uma festa de casamento, e disse logo que era considerado pelo noivo e que o neguinho não seria visto como bico ou penetra. E foram eles, à festa tava maneira, mulheres, cerveja gelada, no três em um (este era o equipamento mais moderno da época) rolava os "bolachões" de The Jackson Five (Michael Jackson), The Commodores e Lionel Richie, Stevie Wonder, Marvin Gaye, Zapp, Earth Wind & Fire, Donna Summer e tantos outros isso hoje é coisa da antiga, do tempo em que leite era tirado da vaca e não da caixinha.
E neste embalo todo lembrar que aquilo era uma festa de casamento, era meio difícil, mas o amigo apareceu e chamou-o para parabenizar os noivos pelo compromisso firmado e, e lá foi ele, após ser apresentado ao rapaz e em direção a noiva, quando a moça virou e lhe viu o cidadão, quase desmaiou, ele por sua vez se manteve firme, pois quem estava a sua frente era a garota indecisa do supermercado, que neste momento já tinha tomado uma decisão.
O vermelho cobriu o rosto da garota, que com a voz meio embargada entre os dentes lhe fez a seguinte pergunta;
- O que você faz aqui?
Mesmo com o coração acelerado, e as pernas tremulas como a primeira da primeira vez diante da moça,  respondeu em tom de brincadeira:
- Vim aqui pra lhe dar um beijo, porque a partir de amanhã será mais difícil, pois não conheço  muito bem seu marido. Novamente foi levado até a presença do noivo e desta vez apresentado como amigo da família da noiva, o que lhe deu o direito de dançar com a garota vestida de branco que era a atração principal da festa, e durante a dança teve muito blá-bla-bla no ouvido da mesma, mas como não estava lá pra acabar com a festa arrumando confusão, "Vela" seguiu seu destino  correndo atrás das negas.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013







Não se comunica, o povo paga!

Meus amigos, depois de um tempo ausente estou de volta. Não amarelei apenas um período para a oxigenação das ideias.
E percorrendo algumas ruas de nossa cidade a mais progressista do universo, foi possível constatar que a Botucatu de todos nós está indo no buraco, literalmente.
Culpar as chuvas é fácil, mas tivemos um período de estiagem que pelo visto não foi observado.
Outra coisa interessante é a falta de comunicação entre a Administração Municipal e as empresas Sabesp e CPFL, as ruas do Jardim Peabiru foram todas recapeadas em meados do ano passado antes das eleições, mas alguns meses depois algumas delas foram rasgadas para que a rede coletora de esgotos fosse substituída, e como podemos ver a operação para o fechamento das valas foi pessimamente executada assim como a colocação da massa asfáltica.
Já na Estrada dos Oyans no Jardim Palos Verdes, foi pavimentada e existe um poste de energia elétrica no meio da via. Foi mais fácil colocar alguns tubos de concreto circundando o mesmo que pedir a Companhia de Energia à retirada deste.

sábado, 5 de janeiro de 2013




Carta Aberta da Comunidade Quilombola de Rio dos Macacos


Violação dos Direitos Humanos da Comunidade Quilombola de Rio dos Macacos pela Marinha de Guerra do Brasil e Silêncio da Presidenta

No primeiro dia do ano de 2013 chama atenção e causa revolta às Comunidades Quilombolas e em todos os Movimentos Sociais Brasil afora, mobilizados em defesa da garantia do Território da Comunidade Quilombola Rio dos Macacos, marcada nos últimos 43 anos por violações de seus direitos humanos, o fato inacreditável da Presidenta Dilma Rousseff vim à Bahia mais uma vez e ignorar a situação dos crimes praticados pela Marinha de Guerra do Brasil e celebrar a chegada do ano novo com os algozes dos quilombolas.

Em que pese esta situação ser denunciada em diversos fóruns pelo mundo, a exemplo da Rio + 20 e de ter mais de 300 representações internacionais no Itamaraty, solicitando explicações do Estado Brasileiro sobre os abusos cometidos pela Marinha, parece que as informações só não chegam ao conhecimento da presidenta do país, que vem para a Base Naval de Aratu, situada há 09 Km da Comunidade Rio dos Macacos, em Salvador, para uma praia, privatizada pra poucos por uma instituição do Brasil que atua acima das leis da Constituição Federal.

A comunidade Rio dos Macacos, já reconhecida pela Fundação Cultural Palmares como Quilombola, com Laudo Antropológico depositado no INCRA, desde julho/2013, confirmando a sua existência secular no território, foi ocupada pela Marinha de Guerra do Brasil em 1960. Em 1972 para construir uma Vila Militar, a Marinha derrubou 101 casas, inclusive templos sagrados de diversas nações do Candomblé, como consta no RTID – Relatório Técnico de Identificação e Delimitação, elaborado pelo INCRA, que informa o tamanho do território com 301 hectares, mas a Marinha quer impor a Comunidade uma área de 23 hectares. Por isso, mesmo com toda violência do Estado e o silencio de uma presidenta, que no passado foi vítima dos militares, Rio dos Macacos não desiste de seus direitos, inscritos pela justa luta dos que vivem hoje e pelo sangue dos ancestrais, pois um juiz federal deu uma sentença sem nunca ter ouvido a Comunidade e agora há uma Comissão de negociação liderada pela Secretaria Geral da Presidência e pela AGU, que desejam impor a humilhação da comunidade, com a perda quase total do seu território. 

Se comporta a presidenta como tem feito o governador da Bahia, Jaques Wagner, que mesmo uma situação tão escandalosa como a de Rio dos Macacos ocorrendo no estado em que governa, nada tem a dizer de casas derrubadas, de senhoras centenárias e crianças humilhadas, mulheres ameaçadas com armas na cabeça, impedidas de circular no território em que nasceram, do impedimento de acesso a serviços essências como energia elétrica, água potável, direito de pescar, plantar e refazer casas de taipa, fazendo com que até 06 famílias morem num mesmo teto, assim como sem o acesso elementar a educação, direito tão celebrado pela presidenta, pois sob a ameaça e vigilância constante de fuzileiros, comandados por oficiais frios e calculistas, que não imaginam os quilombolas de Rio dos Macacos como serem humanos, a Marinha de Guerra do Brasil segue impune. Pela Convenção 169, pelo Artigo 68/1988, pelo Decreto 4887/2003, seguiremos na luta!

Pela Memória de todas e todos que lutaram e lutam por Rio dos Macacos estamos aqui contra o silêncio da presidenta diante do massacre imposto pela Marinha de Guerra do Brasil!

Salvador, 02 de janeiro de 2013

sábado, 10 de novembro de 2012


GUARANI KAIOWÁ


Você me diz que é muita terra
E que não preciso de tanto chão
Que eu não produzo em escala
E que isso atrasa a nação
Que meu apego pela terra
É pura fetichização
E que outros lugares
Melhoraria minha situação
E me mostra gráficos
Imaginando a inauguração
E o gado, e os tratores, e as cifras
Na mais louca transação

E quando digo que não
Que eu não vejo assim
Gado, trator, cifra?
O que eu quero é aipim
Ver os meninos correndo soltos
Viver por mim
Estar junto dos meus mortos
E das coisas que me fazem assim
O rio primeiro em que me banhei
A mesma mata de antemão
Essa mesma terra aqui
Bem antes de ti, cidadão
Já era de todos
Porque não é nossa não
E isso você com sua “propriedade”
Não pode compreender
A função social da terra
É a função natural das coisas

E então suas leis e tribunais
Sua polícia e legislação
Dão o veredito final
Sobre milênios de incrustação
De um povo em sua terra
Que é sua própria identidade
Então esse povo decide
Se fazer uno com seriedade
E fundem sangue e terra
Num baile de irmandade
O índio vira terra
A terra vira índio
E o capitalismo segue impávido
Esse colosso bandido

DANIEL OLIVEIRA -29 OUT 2012
BELO HORIZONTE/MG - Militante PCB
http://coletivorosadopovo.blogspot.com.br/

quinta-feira, 8 de novembro de 2012



Sangue


Meu sangue é o sangue dos homens
Dos trabalhadores
Dos operários
Do proletariado

Meu sangue é o sangue dos explorados
Daqueles que nunca abaixam a cabeça
Dos que vivem cativos e espoliados
Dos honestos, dos revoltados

Meu sangue é o sangue que quer justiça
Dos que não aguentam a injustiça e a opressão
Dos seres de bem
De todos os do BEM

Meu sangue enche os rios
As matas
Os mares
As montanhas
As ruas
As lojas
As fábricas

Mas um dia será um turbilhão
Um tsunami de justiça
De igualdade
Da verdade
Um sangue
Só um sangue
O sangue dos homens
O sangue da terra.

Afonso Costa