domingo, 10 de abril de 2011
Dificuldade de governar
1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.
2
E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?
Bertold Brecht
1
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.
2
E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?
Bertold Brecht
Vito Giannotti:
A classe operária ainda existe
No fim de março, as notícias das revoltas dos peões de obra de grandes construtoras, no norte e nordeste do país, repercutiram até na mídia empresarial. Dia 23 de março, lemos em vários jornais notícias da greve de mais de 25 mil trabalhadores, na construtora da refinaria Abreu e Lima, em Suape (PE).
Por Vito Giannotti, no Brasil de Fato
A reivindicação chocou por sua crueza: pagamento de 100% das horas extras, aos sábados, aumento do vale- alimentação de R$ 80 mensais para a soma astronômica de R$ 160! Imaginem só. E o consórcio formado pela Camargo Correa e pela OAS, aceitando só R$ 130. Enquanto isso, a refinaria Abreu e Lima recebeu R$ 13, 3 bilhões de investimentos da Petrobras.
No dia 24, os jornais noticiaram que havia uma greve nas usinas de Jirau e Santo Antônio (RO), obras das grandes empresas como a Camargo Correa e Odebrecht, que trabalham com recursos do PAC. Neste dia, calculava-se que houvesse quase cem mil trabalhadores da grande construção civil parados, entre Suape (PE), Porto de Pecém (CE) e nas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio.
Em todos os casos, reivindicações básicas: respeito aos direitos mínimos como aumento do adicional das horas extras, melhor atendimento de saúde, melhora da alimentação e do valor do vale refeição.
A revolta dos trabalhadores ao total desrespeito pelas empresas às suas reivindicações explodiu, sobretudo, na usina de Jirau. Mais de 45 ônibus e várias instalações da usina foram incendiados. Logo, a lorota da mídia, das empreiteiras e dos seus lambe-botas foi que tudo começou por causa de uma briga pessoal entre peões.
A realidade é bem outra. A classe operária ainda existe. Ainda se revolta. Ainda sabe incendiar ônibus, enquanto as empresas se protegem com a Guarda Nacional e recebem gordos financiamentos públicos. Mas a mídia empresarial, ex-militantes de esquerda e intelectuais arrependidos repetem que a classe operária acabou e que a luta de classes é coisa do passado.
PORTAL VERMELHO
A classe operária ainda existe
No fim de março, as notícias das revoltas dos peões de obra de grandes construtoras, no norte e nordeste do país, repercutiram até na mídia empresarial. Dia 23 de março, lemos em vários jornais notícias da greve de mais de 25 mil trabalhadores, na construtora da refinaria Abreu e Lima, em Suape (PE).
Por Vito Giannotti, no Brasil de Fato
A reivindicação chocou por sua crueza: pagamento de 100% das horas extras, aos sábados, aumento do vale- alimentação de R$ 80 mensais para a soma astronômica de R$ 160! Imaginem só. E o consórcio formado pela Camargo Correa e pela OAS, aceitando só R$ 130. Enquanto isso, a refinaria Abreu e Lima recebeu R$ 13, 3 bilhões de investimentos da Petrobras.
No dia 24, os jornais noticiaram que havia uma greve nas usinas de Jirau e Santo Antônio (RO), obras das grandes empresas como a Camargo Correa e Odebrecht, que trabalham com recursos do PAC. Neste dia, calculava-se que houvesse quase cem mil trabalhadores da grande construção civil parados, entre Suape (PE), Porto de Pecém (CE) e nas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio.
Em todos os casos, reivindicações básicas: respeito aos direitos mínimos como aumento do adicional das horas extras, melhor atendimento de saúde, melhora da alimentação e do valor do vale refeição.
A revolta dos trabalhadores ao total desrespeito pelas empresas às suas reivindicações explodiu, sobretudo, na usina de Jirau. Mais de 45 ônibus e várias instalações da usina foram incendiados. Logo, a lorota da mídia, das empreiteiras e dos seus lambe-botas foi que tudo começou por causa de uma briga pessoal entre peões.
A realidade é bem outra. A classe operária ainda existe. Ainda se revolta. Ainda sabe incendiar ônibus, enquanto as empresas se protegem com a Guarda Nacional e recebem gordos financiamentos públicos. Mas a mídia empresarial, ex-militantes de esquerda e intelectuais arrependidos repetem que a classe operária acabou e que a luta de classes é coisa do passado.
PORTAL VERMELHO
domingo, 3 de abril de 2011
FRAGMENTOS
Não viva para que a sua presença seja notada,
mas para que a sua falta seja sentida...
Há pessoas que amam o poder, e outras que tem o poder de amar.
Unidos venceremos. Divididos, cairemos.
Vocês riem de mim por eu ser diferente,
e eu rio de vocês por serem todos iguais.
Sou louco porque vivo em um mundo que não merece minha lucidez...
Não sou nenhum anjo. Sou filho da vida.
Para que levar a vida tão a sério,
se a vida é uma alucinante aventura
da qual jamais sairemos vivos
Se Deus criou as pessoas para amar, e as coisas para cuidar...
Por que amamos as coisas e usamos as pessoas?
Não esqueças tua história nem teu destino.
Não ligo que me olhem da cabeça aos pés...
porque nunca farão minha cabeça
e nunca chegarão aos meus pés
Dizem que o sol brilha para todos,
mas para algumas pessoas no mundo ele nunca brilha.
Eu olho para dentro de mim,
e não me importo com o que as pessoas fazem ou dizem.
Eu me preocupo só com as coisas certas.
O sonho de um careta é a realidade de um maluco.
Há pessoas que amam o poder,
e outras que tem o poder de amar.
Um povo sem conhecimento, saliência de seu passado histórico,
origem e cultura, é como uma árvore sem raízes.
Meu lar é pensar as coisas que eu penso. Esse é meu lar.
A política só serve para dividir o povo.
É uma bobagem, pois faz o povo confiar em um homem,
que não pode fazer nada por nós.
Nós nos recusamos a ser quem vocês queriam que fôssemos, somos o que somos.
Deus me enviou à terra com uma missão.
Só Ele pode me deter, os homens nunca poderão.
A vida é para quem topa qualquer parada,
e não para quem pára em qualquer topada.
As guerras seguirão
enquanto a cor da pele
for mais importante do que a cor dos olhos.
Todo homem tem direito de decidir seu próprio destino.
Os homens pensam que possuem uma mente,
mas é a mente que os possui.
Se você obedece todas as regras, acaba perdendo a diversão.
Meu lar é sempre onde estou.
Meu lar está na minha mente.
Meu lar são meus pensamentos.
Bob Marley
Não viva para que a sua presença seja notada,
mas para que a sua falta seja sentida...
Há pessoas que amam o poder, e outras que tem o poder de amar.
Unidos venceremos. Divididos, cairemos.
Vocês riem de mim por eu ser diferente,
e eu rio de vocês por serem todos iguais.
Sou louco porque vivo em um mundo que não merece minha lucidez...
Não sou nenhum anjo. Sou filho da vida.
Para que levar a vida tão a sério,
se a vida é uma alucinante aventura
da qual jamais sairemos vivos
Se Deus criou as pessoas para amar, e as coisas para cuidar...
Por que amamos as coisas e usamos as pessoas?
Não esqueças tua história nem teu destino.
Não ligo que me olhem da cabeça aos pés...
porque nunca farão minha cabeça
e nunca chegarão aos meus pés
Dizem que o sol brilha para todos,
mas para algumas pessoas no mundo ele nunca brilha.
Eu olho para dentro de mim,
e não me importo com o que as pessoas fazem ou dizem.
Eu me preocupo só com as coisas certas.
O sonho de um careta é a realidade de um maluco.
Há pessoas que amam o poder,
e outras que tem o poder de amar.
Um povo sem conhecimento, saliência de seu passado histórico,
origem e cultura, é como uma árvore sem raízes.
Meu lar é pensar as coisas que eu penso. Esse é meu lar.
A política só serve para dividir o povo.
É uma bobagem, pois faz o povo confiar em um homem,
que não pode fazer nada por nós.
Nós nos recusamos a ser quem vocês queriam que fôssemos, somos o que somos.
Deus me enviou à terra com uma missão.
Só Ele pode me deter, os homens nunca poderão.
A vida é para quem topa qualquer parada,
e não para quem pára em qualquer topada.
As guerras seguirão
enquanto a cor da pele
for mais importante do que a cor dos olhos.
Todo homem tem direito de decidir seu próprio destino.
Os homens pensam que possuem uma mente,
mas é a mente que os possui.
Se você obedece todas as regras, acaba perdendo a diversão.
Meu lar é sempre onde estou.
Meu lar está na minha mente.
Meu lar são meus pensamentos.
Bob Marley
sábado, 2 de abril de 2011
Ministra afirma que Bolsonaro cometeu "caso explícito de racismo"
A ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, considera que as declarações do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) sobre cotas raciais e a possibilidade de um filho se apaixonar por uma mulher negra são “caso explícitos de racismo”. “Não podemos confundir liberdade de expressão com a possibilidade de cometer um crime. O racismo é crime previsto na Constituição”, disse Luiza.
Para a ministra, “qualquer caso de discriminação deve ser repudiado”. Ela disse ainda que espera “firmeza” no posicionamento da Câmara dos Deputados. “O protagonismo é do Legislativo”, afirmou em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro.
“Cada setor do Estado e da sociedade deve assumir o seu papel no combate ao racismo. Nós devemos deixar para que a Câmara Federal encaminhe esse caso e tome decisões contra o deputado dentro das instâncias do Legislativo”, falou após participar do programa. “O crime tem que ser punido e tem que ser combatido em qualquer lugar, principalmente, se ele é cometido em um espaço como o Parlamento brasileiro.”
No início da semana, em entrevista ao programa CQC, da TV Bandeirantes, Jair Bolsonaro disse que “não viajaria em avião pilotado por cotistas nem aceitaria ser operado por médico [ex-cotista]”. Em resposta à cantora Preta Gil sobre a eventualidade de um filho ter envolvimento amoroso com uma mulher negra, o deputado respondeu: “não vou discutir promiscuidade. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem-educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”.
Luiza Bairros espera que “o Legislativo tenha capacidade de tomar a decisão mais coerente com o que tem sido discutido pelos movimentos negro e LGBT [lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros]”, destacou referindo-se a declarações homofóbicas também feitas pelo parlamentar ao programa de TV.
Para a ministra, as declarações do deputado não são surpreendentes no seu conteúdo. “Nós não devemos ficar assustados com esse tipo de declaração, é isso que o movimento negro tem denunciado nas últimas décadas. O que deixa a sociedade indignada é ela [declaração] ter partido de um deputado federal”, afirmou. Jair Bolsonaro é oficial da reserva do Exército e conhecido por sua defesa à ditadura militar (1964-1985).
Socióloga e ligada ao movimento negro, Luiza Bairros acredita que as manifestações racistas ocorrem na medida em que as pessoas negras vão se deslocando na sociedade e passam a ser vistas em lugares que eram historicamente ocupados por pessoas brancas. “Isso provoca reação. Para muitas pessoas, parece perda de espaço. Isso demonstra como ser branco na sociedade brasileira implica em determinados privilégios em detrimento dos direitos dos negros em geral”, avaliou.
Fonte: Agência Brasil/Portal Vermelho
A ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, considera que as declarações do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) sobre cotas raciais e a possibilidade de um filho se apaixonar por uma mulher negra são “caso explícitos de racismo”. “Não podemos confundir liberdade de expressão com a possibilidade de cometer um crime. O racismo é crime previsto na Constituição”, disse Luiza.
Para a ministra, “qualquer caso de discriminação deve ser repudiado”. Ela disse ainda que espera “firmeza” no posicionamento da Câmara dos Deputados. “O protagonismo é do Legislativo”, afirmou em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro.
“Cada setor do Estado e da sociedade deve assumir o seu papel no combate ao racismo. Nós devemos deixar para que a Câmara Federal encaminhe esse caso e tome decisões contra o deputado dentro das instâncias do Legislativo”, falou após participar do programa. “O crime tem que ser punido e tem que ser combatido em qualquer lugar, principalmente, se ele é cometido em um espaço como o Parlamento brasileiro.”
No início da semana, em entrevista ao programa CQC, da TV Bandeirantes, Jair Bolsonaro disse que “não viajaria em avião pilotado por cotistas nem aceitaria ser operado por médico [ex-cotista]”. Em resposta à cantora Preta Gil sobre a eventualidade de um filho ter envolvimento amoroso com uma mulher negra, o deputado respondeu: “não vou discutir promiscuidade. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem-educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”.
Luiza Bairros espera que “o Legislativo tenha capacidade de tomar a decisão mais coerente com o que tem sido discutido pelos movimentos negro e LGBT [lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros]”, destacou referindo-se a declarações homofóbicas também feitas pelo parlamentar ao programa de TV.
Para a ministra, as declarações do deputado não são surpreendentes no seu conteúdo. “Nós não devemos ficar assustados com esse tipo de declaração, é isso que o movimento negro tem denunciado nas últimas décadas. O que deixa a sociedade indignada é ela [declaração] ter partido de um deputado federal”, afirmou. Jair Bolsonaro é oficial da reserva do Exército e conhecido por sua defesa à ditadura militar (1964-1985).
Socióloga e ligada ao movimento negro, Luiza Bairros acredita que as manifestações racistas ocorrem na medida em que as pessoas negras vão se deslocando na sociedade e passam a ser vistas em lugares que eram historicamente ocupados por pessoas brancas. “Isso provoca reação. Para muitas pessoas, parece perda de espaço. Isso demonstra como ser branco na sociedade brasileira implica em determinados privilégios em detrimento dos direitos dos negros em geral”, avaliou.
Fonte: Agência Brasil/Portal Vermelho
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